A gente sabe que Natal surgiu em 25 de dezembro de 1599 visando proteger a colônia portuguesa de possíveis invasores, além de ajudar a povoar em volta do Forte dos Reis Magos. Mas, qual foi a segunda cidade mais antiga do Rio Grande do Norte?
Para esta resposta, não iremos considerar o ano de emancipação, mas da fundação como povoado. Seguindo essa lógica, precisamos explicar que 100 anos após a fundação de Natal e com a expulsão dos holandeses algumas vilas surgiram ao longo do tempo, principalmente a medida que os Jesuítas começaram a catequizar os indígenas no interior do estado.
Essas missões estão na origem de algumas das cidades mais antigas do RN: Extremoz, Nísia Floresta, São José de Mipibu, Arez e Vila Flor, todas situadas na região litorânea, de ocupação inicial, e Assu e Apodi, no oeste potiguar.
Pesquisando, vi que Apodi foi fundada 1680 (16 anos antes de Assú) e em seguida de São Gonçalo do Amarante, que surgiu 10 anos depois.
Sobre Apodi
Manoel Nogueira Ferreira chegou à antiga Podi, atual Apodi (RN), em 1680, ainda jovem, estabelecendo contato inicial com povos indígenas da região. Com o tempo, surgiram conflitos entre colonizadores e nativos, motivados principalmente pela disputa por terras férteis, resultando na morte de seu irmão, Baltazar Nogueira. O processo de ocupação marcou o início da exploração agrícola e pastoril local, com abertura de caminhos e implantação das primeiras atividades econômicas.
Administrativamente, Apodi tornou-se distrito em 1766, subindo a categoria de vila em 1833 e reconhecida como cidade em 1887. Ao longo do século XX, passou por mudanças territoriais, incluindo a criação e emancipação de distritos como Itaú e Felipe Guerra, consolidando-se como importante núcleo histórico e econômico do interior do Rio Grande do Norte.
A cidade mais antiga depois das três mencionadas é Vila Flor, que veio no ano de 1743.
Origem da cidade de Vila Flor

A vila surgiu inicialmente como a aldeia de Gramació, dando origem à consequente colonização e povoamento do território. Essa aldeia, indígena, ficou sob a responsabilidade de André do Sacramento, um padre jesuíta, e cobria uma légua quadrada de área.
Já no século XVIII, entre os anos de 1743 e 1745, contruíram a Casa da Câmara e Cadeia e a atual Igreja de Nossa Senhora do Desterro. Por meio de uma carta-régia datada de 1755, qualquer aldeia transformada em vila passaria a ter o nome de uma comuna de Portugal. Sendo assim, a aldeia de Gramació teve sua denominação alterada para Vila Flor, em homenagem à vila portuguesa de Vila Flor, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte de Portugal.
A partir de 1769, o povoado de Vila Flor subiu a categoria de vila, oficialmente instalada pelo juiz Miguel Carlos Caldeira Castelo Branco, na mesma época em que começava a se desenvolver economicamente, destacando-se na agropecuária, através do cultivo da cana-de-açúcar.
Em 1858, logo após a expulsão dos jesuítas, a lei provincial nº 367 transfere a sede do povoado de Vila Flor para a povoação de Uruá, que viria a se tornar o atual município de Canguaretama
Emancipação
Em 1933, o distrito de Vila Flor deixou de existir. Voltando cinco anos depois. Posteriormente, por meio do decreto-lei estadual nº 44, baixado em cumprimento ao decreto-lei federal nº 2104 (datado de 2 de abril de 1940), altera a denominação do distrito, de Vila Flor para Flor.
Essa alteração mudou em 23 de dezembro de 1948, quando foi sancionada a lei estadual nº 146, que devolveu ao distrito sua denominação original.
Finalmente, em 31 de dezembro de 1963, por força da lei estadual n° 3052, o distrito ganha autonomia política, desmembrando-se de Canguaretama e passando à condição de município do Rio Grande do Norte, preservando a denominação Vila Flor.

