Na década de 1960, antes da Ditadura Militar, a campanha para Governador do RN é estudada até hoje. Quem disputava era Aluizo Alves, de um lado. Por outro, Djalma Marinho. Destaque da campanha política de Alves se chama a Caravana da Esperança.
Alves começou a sua carreira política em 1945, como deputado no partido UDN (União Democrática Nacional) e tinha como aliado o ex-governador Dinarte Mariz. Entretanto, as divergências políticas entre Mariz e Alves fez com que houve o nascimento da maior rivalidade na política potiguar.
Enquanto Djalma focava sua campanha no apoio de coronéis do interior do estado, incluindo os grandes fazendeiros. Aluízio adotou uma abordagem populista, conectando-se diretamente às camadas populares. Foi aí que surgiu a Cruzada da Esperança.
Afinal, como foi essa campanha política?

Aluízio buscou o apoio do PSD para lançar sua candidatura, tal apoio veio por meio de Juscelino Kubitschek, atual presidente da república, na época. Juscelino, mpressionado com suas propostas de Aluízio para o enfrentamento das seca, declarou seu apoio ao candidato.
Junto com o Monsenhor Walfredo Gurgel, que foi candidato a vice-governador. A intenção de chamar o monsenhor para conseguir angariar votos no interior do estado, visto que tinha mais popularidade, principalmente na região do Seridó, onde atuou como deputado federal.
Após formar a chapa, Aluízio foi atrás de Roberto Albano, um dos primeiros marqueteiros no Brasil, após ter estudado marketing político nos Estados Unidos. Durante todo o RN, ele fez uma caravana onde seguidores se vestiam de verde e carregavam ramos e galhos para apoiar o então candidato.
Em comícios, ele sempre respondia com agilidade os inimigos políticos e utilizava a rádio Cabugi, de sua propriedade para falar a opinião dele sobre o estado. O programa de rádio “Conversa com o Povo”, por exemplo, era um das formas utilizadas por Aluízio para conversar com o eleitorado, permitindo uma interação direta entre eles.
O período eleitoral foi marcado por intensa polarização e radicalismo, com disputas que envolviam até mesmo familiares. As cidades se transformaram em verdadeiras zonas de guerras, bem eleição municipal do interior do estado.
Cruzada da Esperança

Utilizando comícios, passeatas e peregrinações. Foi quase um show de rock, se comparar com os tempos modernos. Por que essa analogia? Ele percorreu o estado, mobilizando multidões em todo o estado.
Lembra do verde que falei mais acima? As passeatas ficaram conhecidos pelo uso predominante da cor verde, uma vez que era o símbolo da esperança. Os eleitores carregavam galhos de árvores e lenços verdes.
A participação popular nos eventos políticos de Aluízio Alves, que acabaram saindo do espectro político e se tornaram também um marco cultural. As multidões se aglomeravam para passar horas e horas ouvindo os discursos de Aluízio. Isto perdurou por outras candidaturas que o político fez ao longo dos anos.
Oposição, insatisfeita, o chamava de cigano. Logo, o marketing de Alves fez jingle chamado “Cigano Feiticeiro”, composto por Jacira Costa e foi para o LP “Cruzada da Esperança” e “Frevo da Gentinha”.
A escolha do verde também estabeleceu um contraste direto com o vermelho adotado por seu oponente, Djalma Marinho, facilitando a distinção entre as campanhas e permitindo que os eleitores se identificassem visualmente com seus candidatos. Essa polarização cromática simplificava a comunicação e fortalecia a lealdade dos eleitores, transformando cores em símbolos de ideologias e propostas distintas.
Em 3 de outubro de 1960, Aluízio Alves elegeu-se governador do Rio Grande do Norte, com apoio da coligação PSD-PTB, derrotando o advogado Djalma Marinho.
Referência:
DANTAS, Lucas Gabriel Garcia. Ecos da esperança: as influências da comunicação política de Aluízio Alves em 1960 nas eleições municipais de 2024 em Natal/RN. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2025.
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Biografia do deputado. Disponível em: ttps://www.camara.leg.br/deputados/133958/biografia. Acesso em: 15 mar. 2026.
RIO GRANDE DO NORTE. Secretaria Extraordinária de Cultura. Aquisição de livros. Natal: Governo do Estado do Rio Grande do Norte, [s.d.]. Disponível em: Acesse aqui Acesso em: 15 mar. 2026.

